Livros sobre crônicas e reflexões estão cada vez mais comuns em tempos em que o caos e a solidão, nos seus mais diversos sentidos, afetam a nossa sociedade. Uma das soluções que é bastante comum para deixar esse caos de lado é voltar-se para a literatura. Tentar fazer com que os sentimentos sejam aflorados da pele e que tenhamos a possibilidade de refletir ao identificarmos casos e fatos comuns a nossa realidade é uma das propostas do recém- lançado Elegia para agosto.
382 notas compõem o livro do autor Roberto Lorembrant. E, como nos adverte o título, a melancolia perpassa a obra, cujos temas principais são a incomunicabilidade e a solidão, o estranhamento, a falha, os amores vividos e perdidos, o assombro da morte em vida, a dissolução dos projetos, as batalhas perdidas contra um Deus inexistente, o implacável questionamento de si. Excertos heterogêneos que escapam à rigidez das classificações: cartas, memórias, aforismos e confissões que funcionam como máscaras narrativas. Por trás delas, o desejo de entender e transmitir a experiência de um homem no mundo, “Com cacos e sem fatos”.
“Passo por milhares de corpos todos os dias. Ausente, absorto não importa; desses milhares de corpos posso desejar algumas centenas deles, porém, amo apenas um. A outra pessoa que amo, não sei. Talvez me designe o que sou, meu desejo. A questão central é que, no meio de tantos acasos e coincidências magníficas – e claro, muita espera e procura – sempre acho que encontrei a imagem que faltava, que desvendei o mistério do qual nunca terei a resposta definitiva. Por que isso dura tanto?” (p. 296)
“Nesta Elegia para Agosto, o leitor encontrará a sinceridade nua de um homem que poderia ser qualquer homem. Fiel às suas paixões, ciente de seus desejos e com coragem suficiente para encarar a vida de frente – às vezes com um afago, às vezes com uma porrada, que é como as coisas têm de ser.” Esse trecho, retirado da orelha do livro, que é assinada por Gabriela Ventura, resume o objetivo central de Elegia para agosto, ou seja, a reflexão.
Editora Schoba